Parlamentar afirma que obra de R$ 7 milhões vai gerar aumento de despesas permanentes e defende alternativas mais econômicas ao aluguel atual
O vereador Roque Severgnini (PSB) manifestou-se contrário ao projeto de construção da sede própria da Câmara de Vereadores de Farroupilha, estimado em cerca de R$ 7 milhões. Em entrevista à Spaço FM, o parlamentar defendeu a redução de despesas do Legislativo e afirmou que os recursos públicos deveriam ser direcionados a áreas prioritárias, como saúde e infraestrutura urbana.
Segundo Severgnini, a construção de prédios públicos tende a gerar custos permanentes ao longo do tempo, indo além do investimento inicial. “Você constrói o prédio, depois você tem que dar manutenção, tem que contratar equipe, tem que contratar servente, tem que contratar vigilante, tem que manter o prédio e com certeza vai criar novos cargos”, argumentou.
O vereador também questionou o valor estimado para a obra. Para ele, o montante de R$ 7 milhões é elevado e merece uma análise mais criteriosa. Severgnini citou, inclusive, exemplos de projetos semelhantes que acabaram sendo revistos ou abandonados por gestores públicos, como o novo centro administrativo do Executivo Municipal, que deixou de avançar.
Outro ponto levantado pelo parlamentar é o alto valor pago atualmente em aluguel pela Câmara, cerca de R$ 35 mil mensais. Embora concorde que o custo é excessivo, Severgnini avalia que a solução não passa necessariamente pela construção de um novo prédio. “Pode até se buscar uma alternativa. Mas tem alternativas mais baratas do que essas”, afirmou.
Na avaliação do vereador, seria possível alocar a Câmara em outro imóvel bem localizado por valores significativamente menores, na faixa de R$ 12 mil a R$ 15 mil mensais. Ele defende a rescisão do contrato atual — que, segundo ele, já não possui mais multas — e a busca por um novo espaço, com apoio, inclusive, do setor imobiliário local.
Severgnini também fez críticas à estrutura administrativa do Legislativo, apontando que há espaço para maior racionalização de gastos. Entre os exemplos citados estão a contratação de assessorias jurídicas terceirizadas, mesmo com a existência de procuradoria concursada, além da manutenção de cargos de confiança.
Para o vereador, mesmo recursos oriundos de emendas parlamentares continuam sendo dinheiro público e devem ser aplicados conforme as necessidades mais urgentes da comunidade. Ele citou problemas enfrentados por bairros como o Centenário, que, segundo relatou, carecem de pavimentação, limpeza urbana e manutenção básica.
Durante a entrevista, Severgnini também rebateu críticas que associam sua posição a alinhamentos ideológicos nacionais. “Nós temos que sair dessa visão dualista que ou é Lula ou é Bolsonaro. Eu posso não ser nem Lula nem Bolsonaro. Eu não estou aqui defendendo Lula e nem defendendo Bolsonaro, estou defendendo Farroupilha”, afirmou, acrescentando que não se identifica com posições extremas e defende uma postura de equilíbrio e foco nas questões locais.
O parlamentar concluiu afirmando que não é contrário a investimentos, mas que eles precisam ser feitos com critério, responsabilidade e prioridade social. “Gastar R$ 7 milhões para construir um prédio para a Câmara de Vereadores afeta o nosso dia a dia, queiramos nós ou não”, finalizou.
