Gestor da pasta também cobrou maior engajamento dos municípios beneficiados pelo serviço
O secretário de Saúde de Caxias do Sul, Rafael Bueno, alertou em entrevista para a Rádio Spaço FM na manhã desta terça-feira, 5. Risco de colapso no Hemocs e prejuízo de R$ 17 milhões ao ano. Segundo Bueno, a situação é preocupante já que o hemocentro tem atendimento regional. O secretário explicou que a queda no número de doações de sangue pode levar à paralisação do fornecimento para cirurgias eletivas nos próximos dias.
Ainda de acordo com ele, o sistema atualmente abastece cerca de 48 municípios da região, mas enfrenta dificuldades para manter os estoques em níveis seguros. “Estamos em um momento crítico. Se não houver mobilização imediata, em até 15 dias poderemos interromper o envio de sangue para cirurgias eletivas”, afirmou.
Além da escassez de doadores, o impacto financeiro também preocupa. Conforme o gestor, o custo anual para manter o serviço gira em torno de R$ 20 milhões, considerando despesas com recursos humanos, insumos e logística. No entanto, os repasses dos governos estadual e federal não chegam a 30% desse valor.
Ele frisou que a situação se agrava diante da alta demanda hospitalar. Apenas alguns dos principais hospitais atendidos pelo hemocentro consomem centenas de bolsas mensalmente. O Hospital Geral de Caxias do Sul, por exemplo, utiliza cerca de 500 bolsas por mês. Já o Hospital Pompéia consome aproximadamente 450, enquanto outras instituições da região também apresentam demanda significativa.
O secretário também cobrou maior engajamento dos municípios beneficiados pelo serviço. Segundo ele, muitas cidades não têm promovido campanhas regulares de doação.
Como alternativa, a Secretaria de Saúde tem buscado parcerias com entidades religiosas, comunidades e ações em espaços públicos para incentivar a doação. Ainda assim, Bueno reforça que o ideal seria uma mobilização contínua. “Se cada município trouxesse dois ou três doadores por semana, conseguiríamos manter o estoque estável sem necessidade de grandes campanhas emergenciais”, explicou.
Diante do cenário, o apelo é para que a população da região procure o hemocentro e contribua com doações regulares, evitando que o sistema entre em colapso e comprometa atendimentos essenciais.
