Classe foi ouvida pela Spaço FM
Empresários da região manifestaram preocupação com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e folga um, e propõe a redução da jornada semanal de 44 para 36 ou 40 horas sem redução de salário. Na avaliação deles, a discussão é válida, mas deveria ocorrer com mais profundidade, fora do ambiente de polarização política e priorizando a negociação direta entre empresas e colaboradores.
Para o diretor-proprietário do Grupo Bigfer, Geraldo Alexandrini, o modelo de jornada não deveria ser definido pelo governo, mas sim por acordo entre as partes. Ele questiona os impactos práticos da mudança em setores que funcionam todos os dias. “Como vai funcionar um restaurante, um supermercado ou um posto de gasolina? Todo mundo quer ir ao restaurante no sábado à noite, mas ninguém quer ser a pessoa que está trabalhando”, afirmou. Segundo ele, a medida pode gerar um aumento significativo de custos para as empresas e acabar refletindo no preço final ao consumidor.
O diretor da Biosys, Guila Sebben, avalia que o debate ocorre em um momento inadequado no país, marcado pela polarização política. Na visão dele, uma pauta relevante como a jornada de trabalho deveria ser discutida sem viés ideológico e com foco no desenvolvimento econômico. Ele destaca que muitas empresas já têm modelos próprios de organização da jornada. “Na nossa empresa já existe um acordo para trabalhar de segunda a sexta, com carga horária ajustada. Funciona bem, mas mesmo assim já enfrentamos dificuldades para competir no cenário global”, afirmou.
Para o empresário Igor Reolon, antes de discutir mudanças na jornada de trabalho, o Brasil deveria avançar em reformas estruturais, como a administrativa e a tributária. Ele acredita que aplicar a redução de jornada de forma geral para todos os setores pode gerar um custo que o país ainda não está preparado para absorver. “Esse é um debate que deveria acontecer de forma setorizada, porque cada área da economia tem uma realidade diferente”, disse.
Maurício Alexandrini também avalia que a discussão está excessivamente politizada. Segundo ele, o desejo de ter mais tempo de descanso é legítimo, mas é preciso considerar os impactos econômicos da mudança. “Todo mundo quer trabalhar menos, mas é preciso fazer a conta de quanto isso custa. Se não houver aumento de produtividade, esse custo vai acabar indo para o preço dos produtos”, afirmou.
O presidente da CDL Farroupilha, Sérgio Rossi, criticou o fato de que, segundo ele, muitas das pessoas que defendem mudanças no modelo de jornada não vivenciam a rotina das empresas. “Quem quer modificar isso muitas vezes não tem loja, não tem indústria, não vive o dia a dia de quem gera empregos”, disse.
Já Vinícius Pessin defende que o debate é importante, mas que a solução passa por maior flexibilização e menor interferência do Estado. Para ele, empresas e trabalhadores devem ter liberdade para negociar as jornadas que melhor atendam suas realidades.
Na mesma linha, o empresário José Carlos Trujillo afirma que todos desejam mais tempo de descanso, mas ressalta que qualquer mudança precisa considerar a capacidade de geração de riqueza da economia. Para ele, a redução da jornada precisa estar ligada ao aumento de produtividade e à negociação entre as partes.
Entre os empresários ouvidos, o consenso é de que a discussão sobre a jornada de trabalho é relevante, mas precisa levar em conta os impactos econômicos, as diferenças entre setores e a realidade de um país em desenvolvimento como o Brasil.
