Evento ocorreu nesta quinta-feira na Câmara de Vereadores
A promotora de Justiça Drª Cláudia Formolo Hendler e o procurador de Justiça Dr. Fábio Costa Pereira avaliaram de forma positiva a palestra sobre prevenção à violência extrema realizada nesta quinta-feira, 7, às 14h, na Câmara de Vereadores de Farroupilha. O encontro reuniu cerca de 200 profissionais da rede de proteção do município e integrou o projeto “Sinais”, desenvolvido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.
A atividade teve como foco a identificação de sinais de risco em crianças e adolescentes, propondo um espaço de reflexão, conhecimento e ação para profissionais das áreas da educação, saúde mental, assistência social e segurança.
Durante a palestra, o Dr. Fábio Costa Pereira destacou a importância da prevenção e da identificação precoce de comportamentos que possam indicar radicalização ou risco de violência extrema.
Segundo ele, o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Prevenção da Violência Extrema do MP-RS já percorreu quase 300 municípios gaúchos e capacitou cerca de 27 mil pessoas. “O melhor caminho para prevenir atos de violência extrema está no analógico, na preparação das pessoas que convivem diretamente com crianças e adolescentes para perceber sinais que indicam sofrimento e possível radicalização”, afirmou.
O palestrante explicou que os chamados “marcadores preditores” estão divididos em dois grupos: os subjetivos, relacionados ao contexto pessoal, familiar, social e escolar; e os estéticos, ligados a comportamentos e mudanças visíveis. Entre os principais sinais de alerta, ele destacou o isolamento social. “Quando o adolescente começa a se isolar da família, da escola e dos amigos, em uma fase da vida em que o pertencimento é fundamental, isso precisa servir de alerta. É necessário compreender o sofrimento desse jovem e buscar apoio psicológico, psiquiátrico e familiar”, ressaltou.
Fábio Costa Pereira também reforçou que o enfrentamento à violência extrema exige uma atuação conjunta de toda a sociedade. “Não existe solução única. É um trabalho multifatorial e multissetorial. Família, escola, saúde mental e comunidade precisam atuar juntas”, enfatizou.
Ao final, deixou uma mensagem aos pais e responsáveis: “Limitem o tempo de tela dos filhos. Esse é um dos pontos mais importantes para evitar processos de radicalização”.
A promotora de Justiça Cláudia Formolo Hendler comemorou a grande participação do público e destacou a importância da mobilização da rede de proteção de Farroupilha. “Foi uma satisfação ver a Câmara lotada. Tivemos quase 200 profissionais de diferentes áreas, como Educação, Assistência Social, Brigada Militar, Polícia Civil e Saúde Mental. Todos saíram provocados e estimulados a ampliar esse trabalho de prevenção”, afirmou.
Segundo a promotora, o principal objetivo do encontro foi capacitar os profissionais para identificar jovens que possam apresentar sinais de comportamento agressivo ou radicalização, tratando-os também como vítimas que necessitam de acompanhamento e acolhimento. “O foco inicial é auxiliar a rede a identificar esses potenciais agressores para que possamos pensar estratégias de atendimento, tratamento e prevenção. Em alguns casos, também pode haver responsabilização, mas nosso primeiro objetivo é o cuidado e o tratamento”, explicou.
Cláudia destacou ainda que os participantes passam a atuar como multiplicadores das informações recebidas durante a capacitação. “Queremos que esses profissionais ampliem seu olhar dentro das escolas e ambientes de trabalho e multipliquem esse conhecimento para outros colegas. Vamos seguir promovendo novos encontros e fortalecendo essa corrente de preparação”, concluiu.
