Pai afirma que falha humana e negligência foram determinantes para o desastre
A família do fisioterapeuta Rafael Corrêa Gobbato, que tem raízes em Farroupilha, mantém vivo o sentimento de dor e injustiça ao recordar os nove anos da tragédia da Chapecoense. O pai, Paulo Gobbato, natural do município e que atualmente reside em Porto Alegre, afirma que a impunidade ainda marca o caso e reforça que nenhuma indenização ameniza a perda. Uma missa em homenagem às 71 vítimas será celebrada no próximo sábado, 29, às 18h, na Paróquia Nossa Senhora de Mont’serrat, em Porto Alegre.
O acidente ocorreu na noite de 28 de novembro de 2016, quando a aeronave fretada pela companhia LaMia caiu durante a aproximação para o Aeroporto José María Córdova, próximo a Medellín, na Colômbia. A investigação concluiu que o avião ficou sem combustível por falha humana e descumprimento de protocolos, provocando a morte de 71 das 77 pessoas a bordo.
Paulo relembra que recebeu a notícia da tragédia por volta das 6h, quando foi acordado pelo cunhado. A confirmação veio através de informações divulgadas pela imprensa, enquanto surgiam as primeiras listas das vítimas. Ele relata que a família viajou até Chapecó, onde aguardou por três dias até a chegada do corpo do filho. O velório ocorreu em Farroupilha, onde está a base familiar.
Rafael morava em Santa Maria e integrava a equipe da Chapecoense como fisioterapeuta. Ao avaliar a tragédia, Paulo afirma que a escolha da companhia aérea foi decisiva para o desastre. Ele critica a LaMia e o piloto, que não declarou emergência para evitar multa, mesmo com o combustível no limite. “Uma empresa séria jamais viajaria nessas condições. Foi negligência!”, afirmou.
Nove anos depois, o sentimento de injustiça permanece. O pai salientou que as indenizações ficaram muito abaixo do esperado e que as famílias receberam menos de 30% do valor considerado ideal. Ele critica manobras financeiras e a falência das empresas envolvidas, que prejudicaram especialmente parentes de jogadores e profissionais da delegação.

