Fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico
O comandante do Pelotão do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul em Farroupilha, sargento Alan da Cás, fez um alerta importante à população sobre a possível intensificação do El Niño nos próximos meses.
Segundo ele, os dados mais recentes indicam um aumento significativo na probabilidade de um evento de intensidade moderada a forte. “Há poucos meses, a chance era de 20% a 30%. Agora, já chega a cerca de 80%”, destacou. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, e quanto maior essa elevação de temperatura, maior tende a ser o impacto climático.
O sargento explicou que o El Niño possui diferentes níveis, leve, moderado e forte, e que o termo ‘super El Niño’ não é uma classificação oficial, mas uma forma popular de descrever eventos extremamente intensos, como o registrado em 2024. Naquele ano, porém, ele ressalta que a tragédia no Rio Grande do Sul foi causada por uma combinação de fatores, e não apenas pelo fenômeno. “A umidade da Amazônia, os ventos e o bloqueio atmosférico contribuíram para manter as chuvas intensas por muito tempo. Foi essa soma que causou aquela situação extrema”, explicou.
Para 2026, a previsão inicial indica aumento das chuvas já no fim de junho e início de julho, mas o período mais crítico deve ocorrer entre agosto e dezembro, com maior intensidade durante a primavera. Ainda assim, ele reforça que não há garantia de repetição dos eventos extremos dos anos anteriores.
Diante desse cenário, o Corpo de Bombeiros já intensificou os preparativos. A corporação tem investido em treinamentos específicos, especialmente para atuação em águas rápidas, além da aquisição de novos equipamentos e melhoria na comunicação, com instalação de antenas em regiões estratégicas como o Vale do Rio das Antas e o Vale do Caí.
O trabalho também é realizado em conjunto com a Defesa Civil, que monitora áreas de risco, como encostas e regiões sujeitas a alagamentos.
Apesar do alerta, o comandante evita alarmismo. “Não há necessidade de pânico. Mas quem vive em áreas de risco pode começar a se preparar, revisar telhados, planejar rotas de saída e ter um plano alternativo, caso necessário”, orienta.
Por fim, ele reforça que a experiência recente deixou um aprendizado importante para a população. “Muitas pessoas acreditavam que a água não chegaria onde chegou. Hoje, existe uma consciência maior. A gente espera que, se houver qualquer situação mais grave, todos estejam mais preparados”, concluiu.
