Ocupação começou na madrugada do domingo e permaneceu durante o dia desta segunda-feira
A ocupação de um prédio de uma antiga escola desativada na comunidade de São Gabriel, Linha 40, no interior de Pinto Bandeira, foi encerrada no final da tarde desta segunda-feira, 12, após uma reunião de quase três horas entre lideranças indígenas e representantes do poder público.
O encontro contou com a participação do município, da Funai, da Câmara de Vereadores e do Ministério dos Povos Indígenas, que acompanhou as tratativas por videoconferência. O acordo resultou na desocupação pacífica do local ainda no mesmo dia.
Ocupação ocorreu durante a madrugada
A invasão aconteceu por volta das 4h30 da manhã e mobilizou moradores, autoridades municipais e forças de segurança. Cerca de 20 pessoas, entre adultos e crianças, permaneceram no prédio até o início da tarde, reivindicando espaço para moradia e permanência na região. A Brigada Militar acompanhou a situação e garantiu suporte no local.
Segundo o procurador do município, Murilo de Almeida, o Executivo foi informado nas primeiras horas da manhã e se deslocou até o local para acompanhar a ocorrência. Ele destacou que o diálogo foi estabelecido desde o início e que a manifestação ocorreu de forma ordeira. “Foi uma manifestação pacífica. Eles não fizeram nenhuma arruaça, estavam reivindicando direitos”, afirmou.
Demanda é por área para moradia
Conforme Almeida, a principal reivindicação do grupo indígena é o acesso a uma área para moradia. Atualmente, a comunidade aluga uma residência no município para poder trabalhar e permanecer na região.
O procurador explicou que Pinto Bandeira não possui áreas públicas disponíveis para destinação habitacional, mas assumiu o compromisso de buscar alternativas junto aos governos estadual e federal. “Estamos buscando apoio junto a órgãos do Estado e da União para encontrar uma área que possibilite essa acomodação, que não necessariamente precisa ser no município”, disse.
Prefeitura auxiliou na desocupação
Durante a reunião, também foi destacada a participação direta do prefeito Adilso Salini, que se colocou à disposição para buscar soluções junto a outras esferas de governo, inclusive com a possibilidade de ir a Brasília, se necessário.
O município disponibilizou caminhões e servidores para auxiliar no retorno da comunidade indígena à residência atualmente alugada. “Para que eles retornem da melhor forma possível, da forma mais humana possível”, ressaltou Almeida.
O prefeito Adilso Salini classificou o dia como tenso e relembrou o início da ocorrência. “Foi um dia difícil. Acordar às 4h30 com a notícia de que a escola do município tinha sido invadida. É um prédio desativado, mas é uma área pública”, afirmou.
Salini confirmou que, após diálogo envolvendo também o Ministério Público, foi possível chegar a um acordo. O grupo deixou o prédio ainda no início da tarde.
A comunidade indígena permanecerá provisoriamente na residência alugada até o avanço das tratativas por uma nova área. O Ministério dos Povos Indígenas deverá oficializar os próximos encaminhamentos junto ao município, ao Estado e à União.
