Ruben Bisi critica políticas assistenciais e alerta para os impactos da desaceleração econômica na indústria
O vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico da Serra Gaúcha (Simecs), empresário Ruben Bisi, avaliou o atual cenário econômico do Brasil e projetou impactos significativos para o setor industrial ao longo de 2025 e em 2026. Segundo ele, os efeitos do aumento da taxa de juros já começam a ser sentidos, com desaceleração da economia e reflexos diretos no nível de emprego.
De acordo com Bisi, nos últimos meses diversos setores iniciaram processos de demissões, movimento que deve se intensificar no primeiro trimestre de 2026, especialmente nos segmentos de bens de capital, caminhões pesados e máquinas agrícolas. “A economia está esfriando, que é justamente o objetivo do aumento dos juros para conter a inflação”, afirmou.
O dirigente destacou que o setor metalmecânico, fortemente ligado às cadeias automotiva e de autopeças, já enfrenta retração. Na ponta da cadeia, segundo ele, os maiores impactos são observados na produção de implementos, máquinas e veículos pesados.
Apesar do cenário interno adverso, Bisi apontou as exportações para a Argentina como um fator de alívio para a indústria da região. Ele citou a reorganização da economia argentina, com redução da inflação, combate ao déficit fiscal e aporte de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). “O que está salvando a nossa região é a Argentina”, resumiu.
No campo econômico-social, o vice-presidente do Simecs demonstrou preocupação com o elevado endividamento das famílias brasileiras. Conforme o empresário, mais de 72 milhões de pessoas estão endividadas, com um passivo que se aproxima de R$ 500 bilhões, impulsionado principalmente pelo crédito consignado e pelas apostas online. Segundo ele, esse cenário gera impactos sociais, psicológicos e produtivos, afetando diretamente o desempenho do país.
Críticas ao assistencialismo e defesa de gestão eficiente
Ao comentar o cenário político nacional com foco nas eleições presidenciais de 2026, Bisi criticou a política de programas assistenciais adotada pelo governo federal. Para ele, o assistencialismo é necessário em situações específicas, mas não pode substituir políticas públicas voltadas à geração de emprego, renda e qualificação profissional.
“Sem educação e treinamento, não há desenvolvimento sustentável”, afirmou. Bisi também alertou para o avanço das importações, especialmente de produtos chineses, o que, segundo ele, acelera o processo de desindustrialização do país e compromete cadeias produtivas longas e estratégicas, como as de máquinas, equipamentos e veículos.
O empresário defendeu a necessidade de um governo de centro, com visão de longo prazo, capaz de promover reformas estruturais, como a administrativa, reduzir o tamanho do Estado e priorizar a eficiência da gestão pública. “É preciso fazer gestão, e não empreguismo”, declarou, ao criticar a criação excessiva de cargos que, segundo ele, não resultam em aumento da produtividade.
Para Bisi, a alternância entre extremos ideológicos tem prejudicado a continuidade das políticas públicas e o desenvolvimento do país. “Não importa a velocidade, mas é preciso mudar a direção, sair da polarização e construir gradualmente um Brasil com foco no futuro”, concluiu.
Eleições e Copa do Mundo em 2026
Bisi também comentou as expectativas para 2026, ano que reunirá dois eventos de grande impacto para o país: as eleições presidenciais e a Copa do Mundo. Na avaliação dele, o cenário será desafiador, especialmente em razão da manutenção de juros elevados.
Segundo o empresário, a taxa de juros deve encerrar o período entre 12,5% e 13%, patamar que considera incompatível com uma inflação estimada entre 4% e 4,5%. “Esses juros reais não permitem que o Brasil cresça”, avaliou.
Ao abordar a Copa do Mundo, Bisi afirmou que o futebol, tradicionalmente um fator de união nacional, já não mobiliza os brasileiros como em outros tempos. Para ele, o descrédito com a Seleção Brasileira é tão grande que muitos torcedores sequer conhecem os jogadores convocados.
Ainda assim, reconheceu o potencial do esporte como elemento de esperança e alívio em meio ao ambiente político polarizado. “Tomara que a Seleção vá bem, traga ânimo à população e coloque o esporte em evidência como uma fonte legítima de alegria para o povo”, concluiu.
