Ex-jogador de voleibol salienta que o desafio é se comunicar com nova geração
O avanço tecnológico, o aprimoramento físico e os estudos científicos são aspectos evidentes na evolução do esporte, mas, para o ex-jogador de vôlei Roberto Minuzzi, a grande transformação está no comportamento dos atletas. Apaixonado pela parte humana do esporte, ele afirma que o maior desafio atual é entender e se comunicar com a nova geração.
“A grande mudança é comportamental. A maneira como os atletas se comportam, como encaram ser profissionais e como os técnicos precisam se comunicar com a juventude de hoje é completamente diferente. Técnicos mais antigos têm dificuldade em manter a excelência porque a forma de comunicação mudou. O jovem de hoje não aceita mais o mesmo tipo de abordagem de 20 anos atrás”, analisou.
Segundo ele, o principal desafio dos treinadores é descobrir novas formas de motivar e engajar os atletas, especialmente em esportes de alto rendimento. “O técnico precisa entender como manter o foco, a disciplina e o desejo de vencer. Hoje não se trabalha mais com enfrentamento, mas com propósito. É preciso explicar o porquê das coisas, criar sentido para o atleta”, observou.
Ao comparar modalidades, ele explicou que o futebol e o vôlei possuem naturezas diferentes: enquanto o futebol é administrado pelo tempo, o vôlei é administrado pela eficiência. “No futebol, tu gerencia 90 minutos. Já o vôlei é pura excelência: precisa fazer 25 pontos para ganhar o set. Piscou o olho, toma três pontos. É um esporte de foco e persistência”, afirmou.
Minuzzi também refletiu sobre a perda da criatividade no futebol brasileiro e relacionou isso às mudanças sociais e estruturais. “Antes, a gente jogava bola na rua, de pé descalço, com buracos, carros, cachorro, meio-fio. Isso desenvolvia habilidades cognitivas e motoras. Hoje, tudo é no gramado sintético, com chuteira e proteção. O jogador não aprende mais a improvisar. O europeu sempre treinou assim, e agora jogamos nas mesmas condições que eles, mas sem o diferencial da criatividade”, explicou.
Para ele, a diferença entre as gerações não está apenas na técnica, mas na mentalidade. “O brasileiro ainda é criativo, mas está faltando o improviso das ruas. O futebol perdeu um pouco da espontaneidade. No vôlei, o desafio é manter o comportamento e o foco. O esporte exige eficiência o tempo todo”, destacou.
Sobre a importância do técnico, ele foi categórico: “O nome faz diferença, sim. Assim como um bom cirurgião inspira confiança, um técnico com histórico vencedor também. Mas hoje o tempo é cruel, basta ficar alguns anos sem título para ser considerado ultrapassado. A cobrança é imediata”, concluiu.
