Manifestação ocorre acerca do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro
O professor de história e ex-secretário da Cultura de Caxias do Sul, Paulo Périco, avaliou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) como um episódio único na história do Brasil. Segundo ele, a atuação da Corte ultrapassa o papel constitucional, já que estaria aplicando penas em um processo penal, prática inexistente em cortes semelhantes no mundo. Na entrevista concedida à Rádio Spaço FM, Périco afirmou que o processo deveria tramitar pelas instâncias inferiores, assim como ocorreu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nesse momento Bolsonaro não é presidente, é cidadão comum, portanto deveria responder em primeira instância”, destacou.
O professor também questionou a caracterização de reunião de Bolsonaro com militares como indício de golpe. Para ele, encontros desse tipo fazem parte da rotina de qualquer chefe do Executivo. “Quer dizer que qualquer presidente que se reúne com seus ministros militares já está tramando um golpe? Isso não se sustenta”, comentou. Ao analisar os votos já proferidos, Périco ressaltou a posição do ministro Luiz Fux como a mais consistente. “Foi o voto mais lúcido, com profundidade acadêmica e constitucional. Não foi movido por interesses particulares”, avaliou, ao criticar a postura do relator Alexandre de Moraes e do ministro Flávio Dino.
Para Périco, a condenação do ex-presidente é praticamente certa, mas caberá recurso ao plenário do STF. No entanto, ele considera improvável uma reversão. “Nós temos pelo menos seis ministros alinhados com a atual condução da Corte. A maioria já está formada”, concluiu.
