Profissional atuou mais de 26 anos no Judiciário, sendo 20 dedicados à comarca do município
O então juiz da Segunda Vara Cível do Fórum de Farroupilha e responsável pelo Juizado Especial da Infância e da Juventude, Mário Romano Maggioni, anunciou sua aposentadoria após mais de 26 anos de atuação no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul. O magistrado encerrou oficialmente suas atividades no início de dezembro, marcando o fim de um ciclo profissional de duas décadas na comarca. No programa Fim de Expediente desta quarta-feira, 10, ele afirmou que deixou o cargo com sentimento de missão cumprida e profunda gratidão pelo período em que serviu ao município.
O magistrado destacou que sua trajetória foi construída a partir de parcerias sólidas dentro do Judiciário, com apoio de servidores, equipes técnicas, Ministério Público, Defensoria Pública e da advocacia local. Segundo Maggioni, a atuação conjunta permitiu conduzir processos complexos e garantir respostas mais eficazes à comunidade, especialmente em temas sensíveis ligados à infância.
O juiz relembrou que grande parte de seu trabalho esteve voltada à proteção de crianças e adolescentes, área em que ele desenvolveu forte atuação ao longo dos anos. Em suas estimativas, cerca de 300 adoções foram conduzidas durante sua permanência em Farroupilha, além de inúmeros processos encaminhados para preservar direitos e romper ciclos de vulnerabilidade familiar. Mário reforçou que sempre buscou decisões que priorizassem a segurança e o bem-estar dos menores.
Entre os julgamentos que marcaram sua carreira, o magistrado citou a sentença proferida em 2003, em Capão da Canoa, considerada pioneira no país ao condenar um pai por abandono afetivo. Ele avaliou que a decisão ajudou a consolidar o entendimento de que o cuidado parental é obrigação legal, e não apenas afetiva, tema que anos depois passaria a ter previsão específica na legislação brasileira.
Durante a entrevista, Maggioni também revisitou sua história pessoal, desde as origens na agricultura até a passagem pelo setor bancário, antes de ingressar na magistratura. Ele comentou que sempre encarou o trabalho como vocação e destacou que, nos últimos anos, a rotina foi intensa, especialmente diante da responsabilidade de decisões que afetavam diretamente a vida de crianças e famílias, bem como a importância de conduzir, por mais de uma vez, o processo eleitoral em Farroupilha.
O profissional agradeceu às equipes que o acompanharam por mais de duas décadas e ressaltou que permanece morando em Farroupilha, apesar de deixar oficialmente o ofício. Com a aposentadoria, afirmou que inicia uma nova etapa da vida, levando consigo um legado marcado pela defesa da infância, decisões pioneiras e centenas de processos que transformaram histórias de famílias na cidade.
