Pena passou de 42 para 45 anos de prisão
O Tribunal de Justiça (TJRS) negou o recurso e aumentou a pena de Ari Glock Junior, condenado pelos crimes de tortura, tentativa de homicídio triplamente qualificada, sequestro, roubo e estupro de um ex-funcionário de seu haras. O acórdão foi publicado nesta terça-feira, 16.
Em junho, Glock foi condenado a 42 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado, após júri realizado em Farroupilha. Agora, o TJRS atendeu o pedido do Ministério Público, e aumentou a pena para 45 anos, oito meses e 20 dias. Glock cumpre pena no Presídio de Bento Gonçalves.
Em outubro, o homem também foi condenado na Justiça do Trabalho a pagar R$ 350 mil por danos morais coletivos ao ex-funcionário.
Relembre o caso
Os crimes ocorreram em agosto de 2021, na localidade de Linha Boêmios, interior de Farroupilha. Ari, proprietário de um haras, desconfiava que um funcionário havia furtado dinheiro do local. Com a ajuda de um comparsa, o réu sequestrou, agrediu e torturou a vítima, então com 39 anos. A primeira sessão de agressões ocorreu no próprio haras, onde a vítima sofreu choques elétricos, coronhadas, teve dentes arrancados, um dedo baleado e foi abandonada inconsciente em uma via pública.
No dia seguinte, ao receber alta hospitalar, o homem foi novamente raptado e submetido a novas sessões de tortura: queimaduras com cigarro, perfurações com agulhas aquecidas, cortes com máquina de tosquia e aplicação de álcool nos ferimentos. Depois, foi levado até uma pedreira e forçado a se atirar de um penhasco. Mesmo gravemente ferido, sobreviveu. Após o crime, os agressores ainda invadiram a casa da vítima e furtaram objetos pessoais. Segundo o Ministério Público, Ari Glock Junior é reincidente em ações semelhantes.
Crimes considerados “surreais” até por profissionais experientes
O promotor Ronaldo Lara Rezende, que atuou no caso afirmou nunca ter visto crime tão brutal. “É como um roteiro de filme de terror. A vítima foi torturada com choques, cigarro, agulhas quentes, teve dentes arrancados, dedos esmagados com alicate, um dedo baleado e foi jogada de um penhasco. É inacreditável!”, frisou.
Rezende revelou que a vítima não teve mais condições de retornar ao trabalho. “Atualmente ele depende dos pais, agricultores humildes, que precisaram abandonar a lavoura para cuidar do filho. Ele faz tratamento psiquiátrico e psicológico até hoje. É um sofrimento que não tem como reparar”, pontuou.
