Severgnini procurou a Spaço FM após moradores denunciarem loteamento popular em nascentes da barragem da Julieta
O vereador Roque Severgnini (PSB) procurou a Rádio Spaço FM na manhã desta terça-feira, 14, e se manifestou sobre o caso do projeto de lei que busca construir 150 moradias do programa Minha Casa Minha Vida em bairros de Farroupilha. Severgnini salientou que estes programas habitacionais são importantes para o desenvolvimento do município, mas fez críticas à falta de atenção do poder público às necessidades da comunidade do loteamento Alto da Julieta. Segundo ele, os moradores da região enfrentam problemas graves e cotidianos, como a ausência de abastecimento de água, coleta de lixo e transporte público urbano. Para o parlamentar, é preciso encarar o ‘mundo real’ e priorizar as demandas atuais da população antes de projetar ações futuras.
O projeto habitacional busca construir moradias populares no Altos da Julieta em uma área, segundo os moradores, que seria destinada à preservação ou área de lazer da comunidade. Ainda de acordo com os moradores, no local existem pelo mesmo três nascentes que abastecem a barragem da Julieta.
De acordo com o vereador, o município está criando as condições legais para viabilizar o empreendimento e o projeto deve ser votado na sessão do dia 21 deste mês. Ainda conforme ele, o Legislativo recebeu em setembro, um projeto de lei solicitando a desafetação de áreas públicas, processo que permite a mudança de finalidade de terrenos originalmente destinados a outros usos. A proposta foi aprovada, mas Severgnini lamenta a falta de espaço para debate. Ele afirma que pediu vistas do projeto para promover uma discussão mais ampla, mas não houve tempo nem comunicação adequada com os demais vereadores ou com a população. “Acho que a Câmara enquanto instituição tem falhado nas suas formas de se comunicar com a população. Tem muita homenagem na Câmara de Vereadores e pouco serviço de debate com a comunidade naquilo que realmente importa para a comunidade. E isso precisa mudar. A audiência pública não é para vereador, audiência pública é para a população participar”, explicou.
O vereador também criticou o funcionamento da Câmara, apontando que os projetos têm sido votados rapidamente, sem o devido debate. Segundo ele, há uma tendência de desvalorização do papel do legislador que busca aprofundar as discussões. Além disso, as audiências públicas, que deveriam ser espaços de participação popular, têm tido baixa adesão e pouca divulgação.
Para Severgnini, o Legislativo precisa rever suas práticas e se reconectar com a comunidade. Ele defendeu que as audiências públicas sejam voltadas à população e não apenas aos vereadores, e que o foco das ações legislativas esteja nas reais necessidades dos cidadãos. A crítica se estende à comunicação institucional, que, segundo ele, tem falhado em informar e engajar os moradores nos temas que impactam diretamente suas vidas.
Sobre a situação no Alto da Julieta, ele salienta que o debate sobre o novo projeto habitacional evidencia a urgência de uma gestão mais transparente e participativa, que priorize o atendimento às demandas básicas e promova o envolvimento da população nas decisões que moldam o futuro da cidade.
