Integrantes da associação apresentaram o livro A Ponte de Ferro – A Saga da Reconstrução
O presidente da Associação Amigos de Nova Roma, Tranquilo Tessaro, e o tesoureiro Heleno Pasuch relembraram durante o programa Fim de Expediente desta terça-feira, 17, o processo de reconstrução da ponte que caiu em setembro de 2023, devido à enchente, destacando o papel decisivo da comunidade frente à ausência de ações concretas do estado.
Segundo Tessaro, se não fosse o movimento organizado pelos moradores e empresários locais, Nova Roma do Sul ainda estaria sem ponte. “Sem dúvida nenhuma, nós estaríamos sem ponte”, frisou. Ele relatou encontros com autoridades estaduais que resultaram apenas em promessas não cumpridas, reforçando a percepção de que o setor público permanece engessado.
Tessaro recordou episódios de descaso, como a divulgação equivocada do governo estadual sobre a desobstrução da estrada, realizada, na verdade, pelos agricultores da associação, e a multa de R$ 60 mil aplicada à entidade por uma capina química, valor que acabou sendo a única contribuição oficial recebida.
Os entrevistados também detalharam o esforço coletivo que arrecadou cerca de R$ 9 milhões, dos quais R$ 6 milhões foram investidos diretamente na obra. O restante permanece em fundos e já possibilitou novas iniciativas, como a construção de duas pontes de pequeno porte em Nova Pádua e Nova Roma, em parceria com o Instituto Ling.
O livro A Ponte de Ferro – A Saga da Reconstrução, apresentado durante a entrevista, registra em detalhes esse processo. A obra documenta a reconstrução da ponte de 124 metros, levada pela enchente de 4 de setembro de 2023, e que foi erguida pela comunidade de Nova Roma do Sul, formada por 3.466 habitantes, em apenas 138 dias. Com registros fotográficos, reportagens e testemunhos diretos, o livro reúne os principais momentos da mobilização e analisa seu impacto social, preservando a memória de um episódio singular na história do município e do Rio Grande do Sul.
Ao recordar o trágico dia da queda da ponte, Tessaro e Pasuch compararam a situação de Nova Roma com outras localidades, como Santa Tereza e regiões próximas a Santa Maria, onde diversas pontes caíram e até hoje não foram reconstruídas. Eles ressaltaram que, enquanto o Estado acumula promessas, a comunidade conseguiu entregar resultados concretos.
A entrevista também abordou a precariedade da estrada entre Farroupilha e Nova Roma do Sul, considerada comprometida e em risco de se tornar intransitável. A preocupação é ainda maior diante da safra de uvas, estimada em até 50 milhões de quilos, que depende de infraestrutura adequada para escoamento e para atender às demandas da indústria, comércio e saúde.
Esse relato reforça a importância da mobilização comunitária e da iniciativa privada como resposta rápida e eficaz diante da lentidão do poder público.
