Criminosos utilizam dados reais de processos judiciais para enganar cidadãos, prometendo a liberação de valores mediante pagamentos de taxas falsas ou “aceites” em aplicativos bancários
Nos últimos meses, um golpe sofisticado tem preocupado autoridades judiciais e escritórios de advocacia em todo o país. Conhecido como o “Golpe do Falso Advogado” ou “Golpe do Alvará”, a fraude utiliza a expectativa de quem tem dinheiro a receber na Justiça para aplicar prejuízos financeiros imediatos.
Como o golpe funciona?
O criminoso entra em contato com a vítima, geralmente pelo WhatsApp, utilizando o nome e a foto de um advogado real ou o logotipo de um escritório conhecido. O que torna o golpe convincente é o uso de dados verídicos: em certos casos, golpistas citam o número correto do processo e o nome completo da vítima, informações que muitas vezes são colhidas em consultas públicas nos tribunais.
A mensagem afirma que o “alvará de pagamento” foi liberado. No entanto, para que o valor caia na conta, o golpista alega que é necessário:
- Efetuar o pagamento de uma taxa antecipada (como custas de cartório ou impostos);
- Entrar no aplicativo do banco para “autorizar um aceite” ou “assinar digitalmente” a liberação.
A armadilha do Aplicativo Bancário
Diferente dos golpes antigos que pediam apenas Pix, a nova modalidade foca no aplicativo do banco. Ao induzir a vítima a “autorizar um aceite”, os criminosos podem estar mascarando uma transferência programada, a contratação de um empréstimo ou até a liberação de acesso remoto ao dispositivo da vítima.
A Justiça brasileira e os bancos não exigem que o cidadão faça pagamentos prévios via PIX ou “aceites” manuais em apps para que um alvará judicial seja depositado.
Para não cair na cilada, observe os seguintes comportamentos típicos dos criminosos:
- Senso de Urgência: Eles dizem que o dinheiro só será liberado se o procedimento for feito “agora”.
- Solicitação de Valores: Pedido de dinheiro para liberar o que já é seu por direito é sinal claro de fraude.
- Números de telefone estranhos: Mesmo que a foto seja do seu advogado, verifique se o número de telefone é o mesmo que você já possui em sua agenda.
O que fazer se for contatado?
- Se você receber uma mensagem desse tipo, siga estas orientações de segurança:
- Não faça nenhum pagamento ou transferência.
- Interrompa o contato imediatamente. Não clique em links enviados e não forneça códigos de confirmação.
- Ligue para o seu advogado através de um número que você já conheça (não use o número que te chamou) ou vá pessoalmente ao escritório.
- Registre um Boletim de Ocorrência. A denúncia ajuda a polícia a mapear a atuação dessas quadrilhas.
