Segundo Paulo Joel Scopel, indústria deve enfrentar um ano “bem trabalhoso”, com múltiplos fatores afetando a produção
O ano de 2026 deve ser marcado por incertezas e desafios significativos para a indústria metalmecânica da Serra Gaúcha. A avaliação é do novo presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs), Paulo Joel Scopel, que classifica o período como “um ano atípico”, com múltiplos fatores impactando diretamente a produção e o mercado.
“Esse é um ponto crítico esse ano, na questão da economia, porque vai ser um ano atípico”, afirma Scopel. Entre os elementos que contribuem para esse cenário, ele cita a reforma tributária e o calendário político, além das instabilidades no comércio internacional.
Segundo o presidente do Simecs, a reforma tributária abre o ano gerando insegurança, especialmente para empresas de menor porte. “Começou o ano com uma reforma tributária, que a maioria das empresas não entende ainda como vai funcionar, como vai implantar na sua empresa, principalmente o pequeno e o médio. O grande já está mais organizado”, observa.
Além disso, 2026 reúne uma série de eventos que tendem a impactar o ritmo da economia. “Nós temos Copa do Mundo, que também vai ser um fator de diminuição da nossa produtividade, não tenho dúvida nenhuma”, salienta.
No cenário internacional, Scopel destaca os reflexos das políticas comerciais dos Estados Unidos como um fator de preocupação para a indústria exportadora. “Aí a gente tem a questão do tarifaço do Trump, que atrapalhou o ano passado. Com certeza vai atrapalhar a nossa produção, a nossa venda esse ano”, projeta.
Diante desse conjunto de variáveis, o presidente do Simecs evita previsões otimistas e reconhece a complexidade do momento. “Então tem bastantes desafios. A receita a gente não tem ainda, porque vai ser difícil. O que a gente sabe é que vai ser difícil”, resume. Para ele, o ano exigirá esforço redobrado das empresas. “Vai ser um ano bem trabalhoso.”
Scopel afirma que o Simecs terá papel fundamental no apoio às indústrias associadas ao longo de 2026. “Mas o Simecs vai estar aí para tentar auxiliar o associado, tentar dar um direcionamento, conversar, mostrar, buscar informações, para tentar minimizar o máximo possível o desconforto que a gente imagina que vai ser o ano”, destaca.
Sobre a possível discussão em torno do fim da escala 6×1 na jornada de trabalho, tema que vem ganhando espaço no debate nacional, o dirigente prefere cautela. “Vamos esperar acontecer. A gente sabe que está em pauta, mas a gente não sabe se vai acontecer ou não. Então vamos aguardar.”
Scopel também ressaltou o papel do Simecs na formação de mão de obra qualificada, citando iniciativas como o projeto Escola do Amanhã e parcerias com o Senai para preparar profissionais para uma indústria cada vez mais tecnológica — uma estratégia que, segundo ele, será decisiva para enfrentar os desafios econômicos dos próximos anos.
