Ela também comentou sobre o impacto das apostas on-line
O programa Spaço Livre deste sábado, 17, recebeu a psicóloga Giovana Karoline Franceschini Brugnera, especialista em gerontologia e coordenadora de saúde mental do município de Bento Gonçalves. A convidada conduziu uma reflexão sobre temas atuais e delicados, com o objetivo de refletir, compreender e quebrar tabus relacionados à saúde mental, a importância do Janeiro Branco e aos impactos das apostas on-line na vida das pessoas.
Durante o painel ela abordou diversos temas:
- O significado do Janeiro Branco e sua relevância para a sociedade;
- A desconstrução do mito de que saúde mental é ‘fraqueza’;
- Por que falar de emoções ainda é tabu em muitos ambientes;
- Estresse, ansiedade e cansaço emocional: quando se tornam sinais de alerta;
- Diferença entre tristeza e depressão;
- Impactos do excesso de trabalho, redes sociais e cobranças na mente;
- Autocuidado como necessidade, e não luxo;
- Pequenas atitudes diárias que ajudam a proteger a saúde mental;
- A importância de criar limites emocionais saudáveis;
- Burnout e sofrimento psíquico no trabalho;
Além disso, a psicóloga também comentou sobre o fenômeno das apostas on-line (bets), que se popularizaram rapidamente no Brasil, e os cuidados que as pessoas precisam ter com estes mecanismos. Segundo ela, é preciso compreender que o crescimento desse tipo de prática não está apenas ligado ao entretenimento, mas também a fatores emocionais e sociais. Um dos pontos destacados foi a ilusão do dinheiro fácil, que atrai milhares de pessoas e contribui para a normalização das apostas como forma de diversão. Giovana alertou que essa percepção pode ser perigosa, já que mascara os riscos financeiros e emocionais envolvidos. Outro aspecto abordado foi o uso das bets como válvula de escape para ansiedade, estresse e frustrações. Muitas vezes, o jogo é visto como uma maneira de aliviar tensões do cotidiano, mas acaba funcionando como um paliativo que não resolve os problemas de fundo. A psicóloga explicou também o papel da dopamina no mecanismo do vício, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e recompensa. Esse processo químico no cérebro reforça o comportamento de continuar jogando, mesmo diante de perdas.
Giovana ressaltou que é nesse ponto que o ‘jogo recreativo’ pode se transformar em dependência, quando a pessoa perde o controle e passa a apostar de forma compulsiva. Por fim, ela destacou o ciclo de perda e repetição, em que o cérebro insiste em tentar recuperar o que foi perdido, mantendo o indivíduo preso a uma dinâmica nociva e difícil de interromper. Esse padrão, segundo a especialista, exige atenção e, muitas vezes, acompanhamento profissional para evitar que se torne um problema ainda maior.
Durante a conversa, Giovana destacou que saúde mental deve ser vista como parte da saúde integral e não como sinal de fraqueza. Segundo ela, o Janeiro Branco é um convite para iniciar o ano refletindo sobre o tema, mas o cuidado precisa ser contínuo. “Não é fraqueza, é um cuidar da saúde como um todo e que seja contínuo”, pontuou.
Ela lembrou que, assim como se faz um check-up médico anual, é fundamental cuidar da mente. Giovana citou ainda a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), que entende saúde mental como a capacidade de lidar com as exigências da vida, incluindo estresse, cobranças e pressões cotidianas. Para a psicóloga, o autoconhecimento é essencial reconhecer limites, avaliar se relações são saudáveis ou tóxicas e buscar equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A especialista ressaltou que pequenas atitudes podem ajudar nesse processo, como parar para refletir sobre as próprias emoções, praticar meditação, oração, atividades físicas ou contato com a natureza, além de manter relações saudáveis e reduzir o uso excessivo do celular. No entanto, ela alertou que, quando o sofrimento começa a prejudicar relações e desempenho profissional, é hora de procurar ajuda especializada.
