Condenado por assassinato de mulher em 2017, homem foi colocado em regime aberto em 2023 e tem registros de perseguição e ameaças contra outra vítima entre 2025 e 2026
Um homem foi preso em Venâncio Aires, no centro do RS, após descumprir uma Medida Protetiva de Urgência no contexto de violência doméstica. O investigado, de 46 anos, é o primeiro homem a responder pelo crime de feminicídio no Rio Grande do Sul.
O indivíduo foi condenado em 21 de junho de 2017 pelo feminicídio de Mirian Roselene Gabe, sua ex-companheira, e pela tentativa de homicídio do vigilante de um hospital. A pena inicial era de 28 anos e quatro meses, mas a sentença foi reduzida para 19 aos e seis meses de reclusão após recurso da defesa.
Mirian, 34 anos, foi assassinada na madrugada do dia 22 de março de 2015, pouco depois de ir à delegacia tentar registrar queixa de agressões e ameaça de morte. Ela estava no hospital, esperando para realizar exames que comprovariam as agressões. O homem foi preso em flagrante no dia seguinte e confessou o assassinato.
No mesmo mês, o Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou o homem por feminicídio, o que o tornou a primeira pessoa a responder pelo crime no RS. A Lei do Feminicídio, que tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, foi sancionada no dia 9 de março daquele ano, 13 dias antes do crime.
O condenado teve o pedido de progressão de pena aceito em março de 2020. Em julho de 2023, ele deixou o regime semiaberto e ingressou no regime aberto. Quatro meses, foi preso novamente após agressão e ameaça à então companheira. Ele também havia descumprido uma medida protetiva concedida à vítima. O homem foi solto novamente em novembro de 2025.
Novos descumprimentos e prisão
De acordo com a Polícia Civil, o caso atual teve registros de violência formalizados em 2025 e 2026, envolvendo perseguições, ameaças e reiterado descumprimento das ordens judiciais. O acusado foi localizado nesta terça-feira, 3, e encaminhado ao sistema prisional.
Procurada pelo portal G1, a Vara de Execuções Criminais de Santa Cruz do Sul informou que “com a inclusão de nova condenação, observado o somatório das penas, no ano de 2025, houve a determinação da regressão de regime para o fechado”. No mesmo ano, entretanto, ele foi beneficiado com o livramento condicional.
Manifestação de defesa
O portal G1 entrou em contato com a defesa do homem, que informou estar buscando provas que mostrem que o fato que gerou a prisão foi “um encontro casual em local público, em que não houve intenção de descumprimento das medidas anteriormente deferidas. Um fato isolado”.
