Ivonei Pioner salientou que apenas 18% são dívidas com o comércio
O presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, participou do programa Fim de Expediente desta segunda-feira, 23, onde demonstrou preocupação com o crescimento das apostas esportivas no Brasil e os impactos diretos no endividamento da população e no desempenho do comércio. Segundo ele, o avanço das chamadas bets ocorre de forma acelerada e sem a devida orientação aos consumidores.
Pioner destacou números que evidenciam o comprometimento da renda dos brasileiros. Entre janeiro e novembro do ano passado, cerca de R$ 700 bilhões foram movimentados em plataformas de apostas no país. No mesmo período, o setor supermercadista registrou aproximadamente R$ 1 trilhão em vendas. Para o dirigente, o volume destinado às apostas, equivalente a cerca de 70% do total gasto com alimentação, é considerado alarmante. “É um número que preocupa muito, porque mostra o quanto os recursos das famílias estão sendo direcionados para as apostas, muitas vezes sem o devido controle ou orientação”, afirmou.
De acordo com o presidente, o impacto também é percebido no aumento do endividamento. Atualmente 51,7% das dívidas dos consumidores são com instituições bancárias, enquanto apenas 18% estão relacionadas ao comércio. O restante envolve outros tipos de compromissos financeiros. Mesmo não sendo o principal credor, o varejo acaba sendo afetado pela redução do poder de compra e pelo crescimento da inadimplência.
Segundo ele, muitos consumidores deixam de cumprir compromissos financeiros após comprometer parte significativa da renda com apostas. A orientação aos lojistas é utilizar ferramentas de análise de crédito, como os sistemas de proteção ao crédito, para identificar situações de risco e também orientar os clientes na reorganização financeira.
Pioner também questionou a falta de políticas mais rigorosas em relação à atividade, citando como exemplo a tributação aplicada a outros produtos. Para ele, é necessário discutir medidas que promovam maior controle e conscientização sobre os riscos envolvidos.
Durante a entrevista, o presidente também comentou sobre a proposta de mudanças na jornada de trabalho, especialmente o possível fim da escala 6×1, em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um. Ele afirmou que o setor é contrário à alteração neste momento, principalmente devido à dificuldade já existente na contratação de mão de obra. “Qualquer mudança na jornada pode impactar diretamente o funcionamento das empresas, principalmente as de pequeno porte, que dependem de equipes reduzidas para manter o atendimento”, explicou.
Ao final defendeu que eventuais mudanças nas regras trabalhistas sejam amplamente discutidas, considerando os impactos tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. Segundo ele, o momento exige cautela para evitar prejuízos ao emprego, ao consumo e à economia.
