Enio Ferreira comparou a situação com vias urbanas de grandes centros
O engenheiro mecânico e especializado em legislação de trânsito, Enio Ferreira também avaliou de forma positiva as melhorias realizadas na Rua Barão do Rio Branco, destacando que, embora o projeto possa receber ajustes, os avanços já implementados representam um ganho significativo para a mobilidade urbana.
Segundo Ferreira, o limite de velocidade estabelecido em 40 km/h é adequado e tecnicamente justificável. O engenheiro comparou a situação com vias urbanas de grandes centros, como Copacabana no Rio de Janeiro, onde a redução de velocidade vem sendo adotada para diminuir a gravidade dos acidentes. Ele explica que, ao longo dos cerca de 900 metros da Barão do Rio Branco, a diferença de tempo entre trafegar a 40 km/h e a 60 km/h é de aproximadamente 25 segundos, um ganho considerado irrelevante frente aos riscos.
Do ponto de vista da segurança, o especialista destaca que a distância necessária para reação e frenagem de um veículo a 40 km/h é de cerca de 20 metros, enquanto a 60 km/h esse espaço aumenta para 36 metros. Essa diferença de 16 metros pode ser determinante em um sinistro grave, especialmente em casos de atropelamento, onde as chances de fatalidade aumentam consideravelmente. Por isso, ele defende que todo trecho urbano deveria adotar velocidades mais baixas.
O engenheiro também se posicionou de forma crítica em relação ao uso de lombadas físicas, afirmando que elas geram prejuízos para todos os motoristas, com maior desgaste de freios, embreagem, suspensão e aumento no consumo de combustível. Como alternativa, Enio defende o uso de radares eletrônicos móveis, que têm menor custo, podem ser utilizados em diferentes pontos da cidade e penalizam diretamente os condutores que excedem a velocidade permitida.
Em relação à sinalização, Ferreira avalia que ainda há necessidade de melhorias, especialmente na sinalização horizontal, com pinturas no asfalto indicando claramente a proibição de conversões à esquerda tanto para quem sobe quanto para quem desce a via. Ele também considera arriscada a localização de algumas placas de trânsito posicionadas apenas nas calçadas, já que podem ficar fora do campo de visão dos motoristas ou encobertas por veículos maiores. Para ele, o ideal seria reforçar a sinalização no solo ou com placas suspensas sobre a pista.
Outro ponto levantado pelo engenheiro diz respeito às paradas de ônibus na descida da Barão do Rio Branco. Apesar de reconhecer que em algumas cidades existem recuos específicos para esse fim, Enio entende que permitir a parada de veículos em determinados trechos da faixa de rolamento pode comprometer o fluxo contínuo, especialmente na pista da direita. Na sua avaliação, a proibição total de parada e estacionamento nesses locais contribuiria para maior segurança e fluidez do trânsito.
