Ele foi o convidado do programa Spaço Livre
O executivo Ruben Antonio Bisi foi o convidado do programa Spaço Livre deste sábado, 13, onde comentou sobre diversos desafios que o Brasil está passando. Para ele, o alto nível de endividamento das famílias brasileiras e o número de pessoas dependentes de programas assistenciais são temas apontados pelo diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, Ruben Antonio Bisi. Com mais de cinco décadas de atuação na indústria de transporte, o executivo afirmou que o cenário econômico atual preocupa o setor produtivo e pode gerar impactos no mercado de trabalho e no desenvolvimento do país. Segundo ele, estimativas apontam que cerca de 72 milhões de famílias brasileiras estão endividadas, muitas delas comprometidas com empréstimos consignados e apostas online.
De acordo com Bisi, estudos indicam que as dívidas relacionadas a essas modalidades podem chegar a aproximadamente R$ 495 bilhões. Para ele, taxas de juros elevadas em alguns empréstimos consignados agravam ainda mais a situação. “Existem casos em que os juros passam de 14% ao mês. Isso compromete o orçamento das famílias e afeta inclusive a produtividade no ambiente de trabalho”, afirmou. O executivo destacou que o endividamento excessivo gera reflexos dentro das empresas, já que trabalhadores com dificuldades financeiras acabam enfrentando problemas emocionais e de rendimento.
Bolsa Família e mercado de trabalho
Outro ponto abordado foi à relação entre programas assistenciais e o mercado de trabalho. Segundo ele, atualmente cerca de 37 milhões de pessoas entre 19 e 60 anos estão no Bolsa Família e poderiam estar no mercado formal de trabalho. Na avaliação do executivo, o país precisa discutir mecanismos que incentivem a entrada dessas pessoas no mercado formal. Ele argumenta que a falta de contribuição previdenciária pode gerar consequências no futuro. “Quando essas pessoas chegarem à idade de aposentadoria, o estado terá que pagar o benefício mesmo sem que elas tenham contribuído para o sistema”, explicou. Para Bisi, é necessário que programas sociais contem com políticas que incentivem a qualificação profissional e a inserção no emprego formal, garantindo renda e desenvolvimento econômico.
Trajetória na indústria
Engenheiro formado pela Universidade de Caxias do Sul, Bisi atua há mais de 50 anos na Marcopolo, empresa sediada em Caxias do Sul e referência mundial na fabricação de ônibus. Ao longo da carreira, passou por áreas como engenharia, marketing, planejamento estratégico e negócios internacionais, participando do processo de expansão global da companhia. Além da atuação na empresa, o executivo também preside a Fabus, entidade que reúne fabricantes de ônibus no país, e exerce funções em diversas instituições ligadas à indústria e ao desenvolvimento regional. Durante a entrevista, Bisi reforçou que o crescimento econômico do país depende de educação, qualificação profissional e políticas que incentivem a produtividade. “Educação e trabalho são os caminhos para garantir desenvolvimento e oportunidades para as próximas gerações”, concluiu.
