Recursos deixam de girar no comércio e impactam a economia local
A economista-chefe da Fecomércio-RS e professora da PUC-RS, Patrícia Palermo, aponta que as bets e consignados pressionam o orçamento familiar e reduzem o poder de compra das famílias. Durante sua participação no programa Fim de Expediente desta quinta-feira, 19, ao lado do presidente do Sindilojas Farroupilha, Cladir Bono, a economista destacou que o Brasil enfrenta um cenário de alto endividamento, com cerca de 72 milhões de famílias, somando aproximadamente R$ 495 bilhões em dívidas.
Patrícia explicou que, mesmo com indicadores positivos como o aumento da renda e a melhora no preço dos alimentos, o consumo perdeu força em 2025. Segundo ela, o principal problema está no alto comprometimento da renda mensal com dívidas, o que limita a capacidade de compra. A economista ressaltou que, diante da necessidade de escolher entre pagar dívidas ou manter o consumo básico, muitas famílias optam por priorizar despesas essenciais, o que contribui para o aumento da inadimplência.
Ela também apontou que a ampliação do crédito consignado facilitou o acesso a empréstimos, muitas vezes com juros elevados, sem o devido preparo financeiro por parte da população. Além disso, destacou que as apostas online têm retirado recursos do consumo tradicional, desviando parte da renda que antes circulava no comércio. Patrícia alertou ainda que a inadimplência deve permanecer em níveis elevados ao longo de 2026, impactando diretamente o desempenho do setor comercial.
