Thiago Rocha palestrou em evento do Grupo de Apoio a Adoção DNA da Alma
O médico psiquiatra da infância e adolescência, mestre e doutor em Psiquiatria e Ciências do Comportamento, Thiago Rocha, destacou, na manhã deste sábado, 4, durante palestra sobre saúde mental na infância, a importância de abordar os diagnósticos psiquiátricos com responsabilidade e cautela. Segundo ele, há atualmente um excesso de diagnósticos e certa precipitação ao identificar transtornos no desenvolvimento infantil, o que pode gerar confusão e até prejuízos ao crescimento saudável das crianças.
“Nem todo sintoma ou dificuldade é sinônimo de um diagnóstico. Precisamos compreender o que é natural e esperado no desenvolvimento infantil para, então, diferenciar o que realmente exige atenção e cuidado”, ressaltou o especialista.
Ele explicou que o diagnóstico deve ser visto como um instrumento de orientação, e não como uma sentença. “O diagnóstico é um mapa, um norteador. Ele ajuda a conduzir o melhor cuidado para a criança, servindo de base para o planejamento do seu desenvolvimento. Não é algo que aprisiona, mas que liberta, pois gera conhecimento”, afirmou.
O médico também observou que, embora o debate sobre saúde mental infantil esteja mais aberto do que há alguns anos, a informação ainda chega de maneira confusa à população. Esse cenário, segundo ele, contribui para interpretações equivocadas e diagnósticos incorretos, especialmente em casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
“É positivo que esses temas sejam mais discutidos, mas é preciso cuidado para não transformar a identificação precoce em precipitação. Cada criança tem seu ritmo, e o olhar clínico deve ser sempre criterioso”, destacou.
Ao ser questionado sobre a reação das famílias diante de diagnósticos, o psiquiatra afirmou que a incerteza e o receio são naturais. “O papel do profissional é também acolher a família, orientar e criar uma rede de apoio para que a criança possa se desenvolver da melhor forma possível”, completou.
Como mensagem final aos pais, o especialista reforçou a importância da atenção e do diálogo. “Olhar com carinho e atenção para os filhos é essencial. Buscar ajuda profissional quando houver dúvida, sem medo ou preconceito, é o melhor caminho para garantir um desenvolvimento saudável e baseado em evidências científicas,” concluiu.
