Enquanto filho permanece internado desde o parto, mãe transforma momento delicado em um gesto de solidariedade
Mesmo enfrentando um dos momentos mais delicados de sua vida, a moradora de Carlos Barbosa, Diersica, encontrou forças para transformar a dor em solidariedade. Mãe do pequeno Benjamin, internado desde o nascimento na UTI Neonatal do Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves, ela já doou cerca de 32 litros de leite materno, volume capaz de alimentar todos os bebês da unidade por até duas semanas.
Benjamin nasceu no dia 28 de outubro, de cesariana, após uma gestação acompanhada integralmente no Tacchini. Ainda no início da gravidez, exames apontaram uma suspeita de onfalocele, malformação congênita que exige cuidados intensivos após o nascimento. Desde então, o bebê permanece internado na UTI Neonatal.
Nos primeiros dias de vida, Benjamin não pôde ser amamentado diretamente no seio, recebendo alimentação por sonda. Mesmo assim, desde o primeiro dia após o parto, Diersica foi encaminhada ao Banco de Leite Humano do hospital para estimular a produção. “No começo saíam só gotinhas, e eu cheguei a achar que não conseguiria amamentar”, relembra.
Com o passar das semanas, a produção aumentou de forma significativa, superando as necessidades do próprio filho. Atualmente, Benjamin recebe leite materno tanto no seio quanto por sonda, e o excedente passou a ser doado. Todo o leite é pasteurizado e armazenado no Banco de Leite do Tacchini, reservado inicialmente para o bebê até sua alta.
Para Diersica, a doação vai além do próprio filho. “A gente vê mães que, por vários motivos, não conseguem amamentar. Poder doar nem que seja 5 ou 10 ml para cada bebê já é muito gratificante. Saber que eu tenho para o meu filho e ainda posso ajudar outros é uma sensação muito boa”, afirma. Segundo ela, o leite materno teve impacto direto na evolução clínica de Benjamin, que não apresentou infecções desde que começou a recebê-lo.
O convívio diário na UTI Neonatal fortaleceu ainda mais o sentimento de empatia. Hoje, Diersica incentiva outras mães a não desistirem. “Eu quase desisti no começo, tive fissuras, achei que não teria leite suficiente. Mas as meninas do Banco de Leite me ajudaram muito. Quem puder doar, que doe. É gratificante, faz a diferença e salva vidas.”
