Parlamentar sustenta que soberania não pode justificar regimes autoritários
O deputado estadual Claudio Branchieri (Podemos) afirma que setores da esquerda tentam classificar como invasão a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e ignoram, segundo ele, a realidade de milhões de venezuelanos que viveram sem direitos sob um regime autoritário.
Maduro foi capturado e retirado da Venezuela em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos na madrugada de sábado, 3. A ação envolveu forças especiais americanas e ataques a alvos estratégicos, como o Forte Tiuna e o aeroporto de La Carlota, resultando na condução de Maduro e da esposa, Cilia Flores, para o território norte-americano. Na primeira audiência, realizada segunda-feira, 5, ele se declarou inocente e afirmou ser um “presidente sequestrado”. A próxima etapa do processo está marcada para o dia 17 de março.
Com a retirada de Maduro do poder, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a presidência da Venezuela. O governo dos Estados Unidos sustentou a legalidade da operação com base em mandados judiciais anteriores, enquanto o governo brasileiro classificou o episódio como “sequestro” durante manifestação na Organização dos Estados Americanos (OEA).
Para Branchieri, a soberania não pode ser usada como justificativa para a manutenção de regimes ditatoriais. O parlamentar afirmou que quase 27 milhões de venezuelanos viveram sem garantias básicas e avalia que a esquerda tenta criar uma narrativa ideológica ao comparar a prisão de Maduro a uma invasão nos moldes de outros conflitos internacionais.
O deputado também aponta que a reação internacional ignora o impacto social do regime venezuelano e lembrou que potências como China e Rússia se beneficiaram economicamente da situação do país. Na avaliação de Branchieri, a ação americana envia um recado claro a governos autoritários e pode alterar o cenário político da América Latina. “Estamos saíndo de um período de trevas”, definiu.
