Vivian Laube conduziu um curso na Cics Farroupilha
A especialista em comportamento organizacional e liderança, Vivian Laube, participou do programa Fim de Expediente desta quarta-feira, 19, onde abordou a importância de relações mais saudáveis e produtivas no ambiente profissional. O tema é parte de um curso disponibilizado pela Cics Farroupilha que foi realizado nesta semana. O painel propõe desenvolver habilidades para lidar com conversas difíceis com mais clareza, empatia e assertividade, competências cada vez mais exigidas no ambiente corporativo.
A proposta vai ao encontro de temas atuais, como a importância da escuta ativa, o respeito nas relações e a construção de diálogos mais eficazes dentro das equipes. A formação também busca preparar líderes para enfrentar conflitos de forma mais equilibrada, sem comprometer resultados e relações.
Conforme Vivian, a forma como as pessoas se comunicam no dia a dia pode ser mais violenta do que aparenta, mesmo sem gritos ou agressões explícitas. O alerta é de uma especialista em comunicação não violenta, que destacou como comportamentos comuns acabam contribuindo para conflitos, desgaste nas relações e até para a polarização social.
Segundo ela, a chamada comunicação não violenta passou a fazer parte de sua vida apenas em 2018, apesar de já atuar há décadas na área da comunicação. O impacto foi tão significativo que a levou a se aprofundar no tema e se tornar facilitadora na área. De acordo com a especialista, a violência na comunicação vai muito além de atitudes agressivas. “Ignorar alguém, interromper, ironizar, minimizar sentimentos ou usar piadas e indiretas são formas de microviolências que estão presentes no cotidiano”, explicou.
Ela destacou que esse comportamento muitas vezes está enraizado na forma como as pessoas foram educadas, criando a ideia de que, ao discordar, o outro está errado e, por isso, merece algum tipo de punição, ainda que simbólica.
A especialista também relacionou esse padrão de comportamento ao cenário atual de polarização. Para ela, a dificuldade de diálogo está diretamente ligada à incapacidade de ouvir o outro. “Quando eu parto do princípio de que estou certa e o outro está errado, eu deixo de escutar. E isso impede qualquer construção de diálogo”, ressaltou.
Apesar do cenário desafiador, ela garantiu que é possível mudar a forma de se comunicar sem perder a personalidade. Um dos principais pontos é abandonar o hábito de acusar o outro e passar a falar sobre si mesmo. Em vez de frases como tu é irresponsável ou tu nunca faz isso, a orientação é utilizar uma comunicação em primeira pessoa, expressando sentimentos e percepções. “Dizer ‘eu me sinto irritado quando algo acontece’ muda completamente a dinâmica da conversa, porque tira o foco da acusação e traz para a responsabilidade individual”, definiu.
Outro ponto fundamental apontado pela especialista foi a escuta ativa. A especialista ressalta que ouvir o outro não significa concordar, mas sim respeitar o direito de expressão. “É possível discordar com respeito. Quando a gente escuta, acolhe e entende o ponto de vista do outro, a conversa ganha outro nível”, frisou.
Por fim, ela reforça que a mudança na comunicação depende de cada pessoa. Segundo ela, não é possível controlar o comportamento dos outros, mas é possível controlar a própria reação. “Não é sobre o outro, é sobre nós. Precisamos aprender a lidar com nossas emoções e assumir responsabilidade pela forma como nos comunicamos”, concluiu.
