Neste ano já foram 19 feminicídios confirmados no RS
Uma manifestação denominada ‘Por todas as Roses’ será realizada neste domingo, 1º de março, em Nova Prata, em memória da ex-vereadora e diretora administrativa da Secretaria Estadual do Esporte e Lazer, Roseli Vanda Pires Albuquerque, de 47 anos, vítima de feminicídio no último sábado, 21. O ato também busca chamar a atenção para o avanço da violência contra a mulher no Rio Grande do Sul.
Organizada por voluntárias e apoiadores, a caminhada terá início às 9h, com saída da Gruta Nossa Senhora de Lourdes e chegada na Praça da Bandeira, no centro do município. Os participantes são convidados a vestir roupas brancas ou claras, como símbolo de respeito, memória e pedido por justiça.
Roseli foi morta dentro do próprio apartamento, na avenida Presidente Vargas. Momentos antes do crime, ela enviou uma mensagem de socorro à mãe com as palavras ‘Vem aqui’. A Brigada Militar (BM) foi acionada e encontrou a vítima sem vida no quarto. O ex-companheiro dela, Ari Albuquerque, também foi encontrado morto no local. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio seguido de suicídio.
O casal manteve um relacionamento por cerca de 28 anos e estava separado havia aproximadamente seis meses. O filho deles, de 26 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), estava no imóvel, mas não presenciou o crime. Ele permanece sob os cuidados da avó materna.
A morte de Roseli causou forte comoção em Nova Prata e em todo o estado, onde ela teve atuação destacada na vida pública como vereadora e também na Secretaria Estadual do Esporte e Lazer.
O caso faz parte de uma estatística alarmante. Somente em 2026, ao menos 19 mulheres já foram vítimas de feminicídio no RS. Veja a lista:
- 03/01 – Guaíba – Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte – 31 anos
- 13/01 – Canguçu – Letícia Foster Rodrigues – 37 anos
- 18/01 – Santa Rosa – Marinês Teresinha Schneider – 54 anos
- 18/01 – Porto Alegre – Josiane Natel Alves – 32 anos
- 19/01 – Porto Alegre – Paula Gabriela Torres Perreira – 39 anos
- 20/01 – Sapucaia do Sul – Mirella dos Santos da Silva – 15 anos
- 20/01 – Muitos Capões – Uliana Teresinha Fagundes – 59 anos
- 24/01 – Novo Hamburgo – Karizele Oliveira Senna – 30 anos
- 24/01 – Cachoeirinha – Silvana German de Aguiar – 48 anos
- 25/01 – Tramandaí – Leila Raquel Camargo Feltrin – 24 anos
- 26/01 – Santa Cruz do Sul – Paula Gomes Gonhi – 44 anos
- 29/01 – Novo Barreiro – Marli de Fátima Froelick – 57 anos
- 07/02 – São Francisco de Paula – Ianca Diniz Soares – 29 anos
- 10/02 – Santa Clara do Sul – Juliane Schuster – 30 anos
- 12/02 – Maçambará – Cláudia Rosane Casseres da Cunha – 54 anos
- 14/02 – Cacequi – Cássia Nascimento – 26 anos
- 21/02 – Nova Prata – Roseli Vanda Pires Albuquerque – 47 anos
- 21/02 – Mostardas – Glai Maria da Costa Conceição – 48 anos
- 23/02 – Ijuí – Miriane Lacerda Vieira – 24 anos
Cada uma dessas mulheres tinha uma história, família e planos interrompidos pela violência. O número reforça o alerta para um problema social grave e persistente, que atinge comunidades em todas as regiões do Estado.
A caminhada em Nova Prata surge como um ato coletivo de memória, protesto e conscientização. Além de homenagear Roseli, a mobilização busca dar visibilidade às demais vítimas e reforçar a importância do enfrentamento à violência contra a mulher, com o objetivo de evitar que novos casos ocorram.
Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado;
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas;
- É possível registrar o crime pela Delegacia Online da Mulher, sem ter que ir até a delegacia, e também solicitar medida protetivas de urgência;
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas | Disque 180
