Parlamentar critica criação de uma bet estadual e alerta para avanço da ludopatia
O deputado estadual, Tiago Simon, em entrevista para a Spaço FM reproduzida nesta terça-feira, 10, comentou sobre o projeto de lei apresentado recentemente na Assembleia Legislativa que busca restringir a veiculação de publicidade de apostas eletrônicas em rádio, TV e internet no Rio Grande do Sul (RS). A proposta surge em meio a crescentes preocupações sobre os impactos sociais e de saúde pública relacionados à prática, que já envolve mais de 25 milhões de brasileiros.
Segundo Simon, pesquisas do Conselho Regional de Medicina e de diversas entidades apontam que a ludopatia, vício em jogos de azar, tem se espalhado de forma alarmante. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como transtorno equivalente ao alcoolismo e à dependência química, a ludopatia provoca endividamento, depressão e distorções cognitivas, levando muitos apostadores a acreditar que podem recuperar perdas com novas apostas. O deputado ressaltou que o problema já afeta setores da economia. A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) divulgou nota informando queda nas vendas, atribuída ao fato de consumidores estarem destinando recursos às apostas em vez de à alimentação. Federações do comércio e sindicatos de lojistas também relatam retração no varejo. Além disso, há registros de queda de produtividade no trabalho e aumento do endividamento pessoal.
Ainda conforme o parlamentar, o projeto de lei prevê restrições semelhantes às adotadas em países europeus, como a limitação de horários de publicidade voltados ao público infantojuvenil e mecanismos de proteção, como botões de autoexclusão e limitadores de apostas. “O maior gatilho hoje é a publicidade, que estimula o vício por meio da liberação de dopamina no cérebro”, destacou.
Ao longo de sua manifestação, ele comentou sobre a intenção do governo estadual de retomar a Lotercs e lançar uma concessão pública para exploração de apostas eletrônicas por 20 anos. A estimativa é arrecadar cerca de R$ 4 bilhões nesse período. No entanto, críticos questionam a lógica de incentivar uma prática que, segundo eles, gera prejuízos sociais e econômicos muito superiores à arrecadação prevista. “Se o estado vai ganhar, a população vai perder muito mais”, afirmou.
