Polícia Civil investiga o caso
Um possível esquema de pirâmide financeira pode ter feito mais de cinco mil vítimas na Serra Gaúcha, através de um escritório em Nova Prata. A Polícia Civil deste município investiga o caso. As informações são da Rádio Ativa.
A ação envolvia o depósito de uma quantia entre R$ 500 a R$ 2 mil com a promessa de retorno em dobro a partir do cumprimento de metas online, além de atrair mais pessoas para a atividade. Pelo menos 23 pessoas já registraram boletim de ocorrência na delegacia até esta quinta-feira, 5.
Iniciou-se com o monitorando de atividades do escritório, no bairro Vila Lenzi, onde operava um grupo suspeito de alavancar mais e mais membros. Conforme a autoridade policial, o modelo do negócio se sustentava na captação contínua de novos investidores, prometendo retornos incompatíveis com o mercado, característica típica desse tipo de esquema, o que faz uma “lavagem cerebral” nas vítimas, prometendo ganhos muito além da realidade.
Movimentações atípicas
Segundo a Rádio Ativa, o caso ganhou repercussão em Nova Prata e cidades da região após relatos de movimentações atípicas, como filas frequentes no local, além de informações de que moradores estariam pedindo demissão de seus empregos e contraindo empréstimos para realizar aportes financeiros.
Em uma das situações, a Polícia Civil interveio em uma transmissão ao vivo de um representante do empreendimento que buscava dar credibilidade à atividade, solicitando a interrupção por se tratar de prática ilícita.
Segundo informações divulgadas, somente em Nova Prata aproximadamente cinco mil pessoas estariam envolvidas, mas também há relatos de vítimas de outros municípios.
O esquema
Para entrar nesta “corrente” que promete ganhos muito acima do padrão, o usuário escolheria um valor, e após pagar seu plano teria direito a acessar a plataforma.
Nela, haveria tarefas para desempenhar, sorteios e outros benefícios que em pouco tempo, o valor investido seria totalmente recuperado com lucros. Também quanto mais pessoas fossem indicadas, mais os lucros aumentariam. Pessoas de todas as classes sociais de Nova Prata e região entraram na onda.
Essa suposta empresa teria matriz em Londres. Na última sexta-feira, 30, após um período distribuindo lucros, a plataforma travou. Muitas pessoas não conseguiram transferir seu dinheiro, que teriam em suas contas.
Apesar dos alertas técnicos emitidos pelas autoridades, apoiadores e usuários continuaram promovendo o negócio em suas comunidades. Nesta semana, o sistema colapsou oficialmente, confirmando as previsões da investigação conduzida pela Polícia Civil.
Já na quarta-feira, 4, a plataforma atualizou e pedia mais depósitos dos usuários para liberar novamente o acesso.
Protestos
Com o colapso, o escritório em Nova Prata foi fechado e os responsáveis cessaram qualquer manifestação pública, o que gerou revolta e manifestações em frente ao local. De acordo com a Ativa, a Brigada Militar precisou atuar para garantir a segurança e evitar danos ao patrimônio.
A delegada Liliane Pasternak Kramm alerta para um novo golpe em andamento, no qual vítimas estão sendo pressionadas a realizar novos depósitos, sob a falsa promessa de que somente assim conseguirão reaver valores investidos anteriormente.
A Polícia Civil reforça que não devem ser feitos novos aportes, pois o sistema já faliu e a recuperação dos valores é improvável, inclusive porque muitos investidores não sabem para quem o dinheiro foi transferido.
Com isso, desde ontem, na Avenida Luiz Marafon, em Nova Prata, em frente ao escritório, várias pessoas se reuniram buscando informações. A Brigada Militar esteve por um longo período nas proximidades para garantir a segurança.
A autoridade policial também destaca que publicações e tumultos em redes sociais não possuem validade jurídica e podem gerar responsabilização criminal, e que a divulgação e cooptação de novas pessoas para esse tipo de esquema é crime previsto na Lei de Economia Popular.
Por fim, a Polícia Civil orienta que as vítimas de Nova Prata e região mantenham a calma e compareçam à delegacia para registrar a ocorrência policial. A produção de provas, como depoimentos e documentos das transações, é essencial para que o Judiciário possa autorizar medidas como prisões e quebras de sigilo, permitindo o avanço da investigação.
