Cinco casos aconteceram em 48 horas
O Rio Grande do Sul (RS) enfrenta um início de ano marcado pela escalada da violência contra mulheres. Em apenas 20 dias de janeiro, o estado já contabiliza sete feminicídios, número superior ao registrado em todo o mês de dezembro. Entre domingo, 18, e esta terça-feira, 20, cinco mulheres foram mortas em diferentes regiões, em um intervalo de pouco mais de 48 horas.
O caso mais recente aconteceu nesta terça-feira, 20, em Muitos Capões, nos Campos de Cima da Serra. Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos, foi morta a tiros dentro da casa onde havia morado com o ex-companheiro. O suspeito fugiu após o crime e segue sendo procurado pela Polícia Civil. Uliana trabalhava como monitora na escola Dom Frei Vital de Oliveira e avó de dois alunos, Vitor Henrique e Ana Vitória. A instituição divulgou que Uliana tinha muito cuidado e amor pela escola, sempre zelando pela organização, além de ser participava com muita alegria e dedicação.
Conforme a Brigada Militar (BM), Uliana havia deixado a residência quatro dias antes. Na manhã desta terça, ela e o ex-marido assinaram o divórcio em Vacaria. Os dois retornaram junto ao município. Uliana entrou na casa para retirar pertences pessoais, enquanto o homem aguardava do lado de fora. Minutos depois, ela foi atingida pelos disparos. O suspeito de 59 anos fugiu e segue foragido.
No mesmo dia, em Sapucaia do Sul, uma adolescente de 15 anos foi assassinada dentro de casa. O autor, de 25 anos, foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, havia uma medida protetiva em vigor desde dezembro, que proibia qualquer contato entre ele e a vítima. A perícia constatou múltiplas perfurações por arma branca, além de sinais de que a jovem estava com as mãos amarradas.
Feminicídios registrados neste mês de janeiro no RS
- Guaíba (03/01) – Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos, bombeira civil, morta a facadas pelo companheiro, preso em flagrante;
- Canguçu (14/01) – Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, encontrada em plantação de soja com corte no pescoço;
- Santa Rosa (18/01) – Marines Terezinha Schneider, 54 anos, assassinada a tiros; suspeito tentou simular suicídio da vítima;
- Porto Alegre (18/01) – Josiane Natel Alves, 32 anos, morta com nove facadas dentro de casa, na frente da filha de 14 anos. O ex-companheiro, já preso por tráfico, é o principal suspeito;
- Porto Alegre (19/01) – Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos, assassinada a facadas em uma parada de ônibus. O autor se apresentou à polícia e teve prisão decretada;
- Sapucaia do Sul (20/01) – Adolescente de 15 anos, morta a facadas pelo ex-companheiro, preso em flagrante;
- Muitos Capões (20/01) – Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos, morta a tiros pelo ex-companheiro, que fugiu após o crime;
Dados alarmantes
- Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios, média de quatro mulheres mortas por dia.
- No RS, foram 80 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica.
- Nos últimos dez anos, mais de 41 mil mulheres foram assassinadas no país.
Operação “Ano Novo, Vida Nova”
Diante da sequência de crimes, a Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira, 20, a operação “Ano Novo, Vida Nova”, coordenada pela Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher. A ação, com duração de 24 horas, ocorre em diversas cidades e inclui cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão de armas, fiscalização de tornozeleiras eletrônicas e ações de conscientização.
Como buscar ajuda
Mulheres em situação de violência doméstica ou familiar podem ligar para:
- Disque 180 – Atendimento nacional à mulher, gratuito e sigiloso, disponível 24h Também é possível procurar Deams (Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher), Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública ou serviços municipais de assistência social.
- 190 – Emergência policial
