Felipe Kuhn Braun foi o convidado para o painel deste sábado
O presidente da Federação do Centro de Cultura Alemã do Brasil (Feccab), Felipe Kuhn Braun, foi o convidado do programa Spaço Livre deste sábado, 10. Ele que é vereador de Novo Hamburgo, jornalista e escritor, com 35 obras publicadas com temas ligados à história, cultura e identidade do povo alemão, explanou sobre a preservação e valorização cultural como ferramenta de pertencimento.
Autor de diversas obras, Braun comentou sobre seus livros que exploram o papel da imigração alemã no Brasil, os vínculos comunitários e a importância da memória coletiva. A literatura, em sua visão, é mais do que registro, é ponte entre passado e futuro, capaz de fortalecer raízes e inspirar novas gerações.
Esse olhar para o passado não é apenas teórico, já que ele iniciou suas pesquisas ainda aos 14 anos, movido pela curiosidade de compreender suas próprias raízes. Morando em Farroupilha, começou a investigar a história de sua família e descobriu que seu bisavô materno, Wilhelm Winter, foi fundador da cidade de Bom Princípio, originalmente chamada Winterschneiss. Cada descoberta se tornava uma peça de um grande quebra-cabeça histórico, que o levou a reunir milhares de fotos antigas e mais de 22 mil nomes ligados à sua genealogia.
Entre os 14 e os 20 anos, se dedicou intensamente a arquivos e registros de igrejas católicas e luteranas, viajando para cidades como Porto Alegre, Montenegro e Novo Hamburgo. Esse trabalho de campo, feito muitas vezes durante as férias escolares, consolidou sua paixão pela pesquisa histórica e pela escrita.
Essa trajetória também foi marcada pelo incentivo de professores e familiares. No Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Farroupilha, recebeu apoio de educadores como o professor de literatura Agostinho Agostini e da irmã Odete Fiorini, que acompanharam de perto seu desenvolvimento. Esse ambiente escolar e familiar fortaleceu sua vocação para a escrita e para a preservação da memória.
Cultura alemã no Brasil
À frente da Federação, Braun, conduz iniciativas que vão além da preservação da memória, elas buscam dar visibilidade às contribuições da imigração alemã para a formação cultural e social do país. A entidade organiza encontros, seminários e projetos que aproximam comunidades de diferentes regiões, promovendo o intercâmbio de experiências e fortalecendo os vínculos históricos.
A Feccab atua como guardiã da herança cultural alemã, incentivando práticas que vão desde o ensino da língua até a valorização de tradições como festas típicas, gastronomia e música. Ele defendeu que a cultura não deve ser vista apenas como passado, mas como elemento vivo, capaz de dialogar com o presente e inspirar o futuro. Nesse sentido, a federação também se posiciona como espaço de representatividade, onde descendentes de imigrantes encontram reconhecimento e pertencimento.
Além disso, ele ressaltou que a federação tem papel estratégico na construção de pontes entre Brasil e Alemanha, estimulando parcerias culturais e acadêmicas. O presidente destacou que preservar a memória é também abrir caminhos para novas gerações compreenderem suas raízes e fortalecerem sua identidade em meio à diversidade cultural brasileira.
