Marcio Ferrari salienta que o seguro agrícola é essencial para garantir segurança e estabilidade às famílias rurais
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha (Snitrafar), Márcio Ferrari, manifestou forte preocupação com a decisão do governo federal de cortar o repasse dos 40% que subsidiavam o seguro de produção agrícola. A medida, segundo ele, coloca os agricultores em uma situação de insegurança e alto risco financeiro.
Ferrari explica que há quase 15 anos o governo federal auxilia no pagamento da apólice do seguro agrícola, especialmente para culturas como frutas, milho e soja. Pelo modelo vigente até o ano passado, o produtor pagava 60% do valor, enquanto o governo arcava com 40% da apólice. “No entanto, neste ano o governo fez o contingenciamento do orçamento e cortou o repasse. Agora as seguradoras estão emitindo boletos cobrando 100% do valor do seguro”, lamentou.
Motivo do corte e impacto direto ao produtor
Segundo o presidente, a justificativa apresentada pelo governo envolve a necessidade de fechar as contas públicas e destinar recursos para emendas parlamentares — algo que, na visão dele, deixa a agricultura familiar “no meio do fogo cruzado entre Legislativo e Executivo”. Ele considera injustificável retirar o subsídio, lembrando que cerca de R$ 200 milhões seriam suficientes para cobrir todo o seguro agrícola do país. “É um valor irrisório perto de tantas outras despesas. Infelizmente, o agricultor fica sem proteção e sem saber o que fazer”, afirmou.
Com os boletos já emitidos, muitos produtores vivem uma dúvida angustiante: pagar o seguro integralmente, arcando com custos altos para garantir proteção contra o granizo — especialmente comum nesta época do ano —, ou arriscar e torcer para que não ocorram perdas, colocando em risco toda a produção.
Orientações aos agricultores
Márcio Ferrari destaca que a situação é delicada e que cada agricultor precisa analisar cuidadosamente sua realidade:
- Histórico de granizo na área onde a propriedade está localizada;
- Condição financeira da família para assumir o custo integral;
- Possibilidade de aguardar uma eventual reversão da decisão do governo.
Ele orienta que quem optar por pagar o seguro o faça somente no dia do vencimento, na esperança de que ocorra uma mudança de posição por parte de Brasília. “Estamos contando com um milagre. O governo ainda pode voltar atrás. Por isso, sugerimos pagar apenas no dia, para ganhar tempo”, explicou.
Mobilização política e pressão popular
Ferrari afirma que o movimento sindical de todo o Estado está empenhado em pressionar deputados e senadores para buscar uma solução, mas reconhece que o cenário não é animador. “Até agora, tudo indica que não haverá o aporte neste ano. Mesmo assim, estamos trabalhando e não vamos desistir.”
Ele reforça ainda que a população também pode contribuir: “Cada cidadão deve pressionar os parlamentares em quem votou. Precisamos que o Legislativo faça essa ponte com o Executivo. A agricultura familiar é essencial para a produção de alimentos e precisa desse apoio.”
