Recursos seriam pertencentes a sua avó materna de 99 anos
A pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PDT, Juliana Brizola, foi indiciada pela Polícia Civil sob suspeita de apropriação indevida de recursos pertencentes à sua avó materna, Dóris Daudt, de 99 anos. O indiciamento foi fundamentado no artigo 102 do Estatuto da Pessoa Idosa, que trata da apropriação de bens de idosos por pessoas próximas. A investigação teve início após uma ação movida por Alfredo Daudt Júnior, tio de Juliana, que solicitou judicialmente a curatela da mãe, alegando negligência nos cuidados prestados pela sobrinha. Em fevereiro, a Justiça concedeu a curatela a Alfredo, que passou a ter acesso à conta bancária conjunta entre Juliana e Dóris.
Segundo os extratos anexados à denúncia, foram identificados empréstimos de R$ 100 mil e R$ 420 mil, além de transferências para terceiros e pagamentos de despesas não relacionadas ao cuidado da idosa. A conta estava negativa em R$ 44 mil, apesar de Dóris ter recebido uma indenização de R$ 1,8 milhão em 2024 e contar com uma pensão mensal de R$ 25 mil, paga pelo Estado brasileiro. Juliana nega qualquer irregularidade e afirma que o inquérito tem origem em desavenças familiares. Ela também lamenta o vazamento de informações sigilosas da investigação.
Do ponto de vista político, o indiciamento representa um revés significativo. Embora não signifique condenação, o episódio fragiliza sua posição dentro do PDT, que depende de alianças para sustentar uma candidatura competitiva. Juliana vinha sendo cogitada como possível cabeça de chapa em uma aliança com o PT e também era considerada para liderar a coalizão governista, caso o vice-governador Gabriel Souza não avançasse nas pesquisas. Apesar de nunca ter ocupado cargos de gestão, sua candidatura era defendida com base na possibilidade de montar uma equipe técnica qualificada. No entanto, os termos utilizados pela delegada responsável pelo inquérito e o impacto da denúncia colocam em xeque a viabilidade de seu projeto eleitoral.
