Maurício Marcon e Bibo Nunes criticam fundo eleitoral; Pepe Vargas defende modelo para evitar caixa dois
O uso do fundo eleitoral voltou a ser tema de debate entre parlamentares gaúchos. Durante entrevistas à Spaço FM, os deputados federais Maurício Marcon (Podemos) e Bibo Nunes (PL), além do deputado estadual Pepe Vargas (PT), apresentaram visões distintas sobre o financiamento público de campanhas e a distribuição dos recursos entre os partidos.
O deputado Maurício Marcon afirmou ter “tranquilidade em falar sobre o tema” porque, segundo ele, nunca usou um real de dinheiro público. Marcon defendeu a necessidade de uma atualização na legislação eleitoral brasileira, destacando as dificuldades de candidatos com poucos recursos.
“Hoje é muito difícil se eleger com R$ 70 mil. Entre advogado, contador e material gráfico, o custo é alto. Precisamos evoluir para que haja isonomia na hora de concorrer. Se for para distribuir dinheiro, que seja igual para todos”, argumentou.
O parlamentar também observou que o sistema atual privilegia quem já ocupa cargos eletivos. “Agora que sou deputado federal, tenho mais facilidade de me reeleger. Já as novas lideranças enfrentam muitas barreiras, porque não dispõem dos mesmos recursos”, destacou.
Já o deputado Bibo Nunes reforçou ser contrário à existência do fundo eleitoral e partidário, afirmando que é muito dinheiro e que o ideal seria que cada candidato se elegesse com base no serviço prestado à população.
“Por mim, ninguém ganhava nada. Na minha primeira campanha, banquei tudo do meu bolso. Sou contra o fundo, mas, se eu abrir mão, o dinheiro vai para os adversários. O certo seria ninguém receber”, afirmou.
Bibo também criticou o uso excessivo de recursos públicos e o que considera desperdício na máquina pública. “Dinheiro público deve ser respeitado mais do que o próprio. Infelizmente, ainda há muitos que olham só para o próprio umbigo”, declarou.
Na contramão dos colegas, o deputado estadual Pepe Vargas defendeu o fundo eleitoral como instrumento de transparência e combate ao caixa dois.
“O fundo eleitoral pôs fim a algo que era muito comum: o caixa dois nas campanhas. Ele torna o processo mais transparente. Todos os países democráticos possuem algum tipo de financiamento público”, afirmou.
Pepe reconheceu, no entanto, que o valor previsto para o próximo pleito pode ser alto. “Os R$ 4,9 bilhões podem ser exagerados, mas acredito que o Congresso ainda vai corrigir isso. Algum recurso precisa existir para garantir eleições limpas e equilibradas”, completou.
