Ele reforçou a necessidade de um diagnóstico individual
O neurocirurgião Asdrubal Falavigna destacou no programa Spaço Livre, do último sábado, 20, que a nova classificação da pressão arterial exige atenção individualizada. “Para alguns, 12 por 8 ainda pode ser normal, mas para outros já é pré-hipertensão. É preciso avaliar o contexto de cada paciente, e a inteligência artificial vem para ajudar a personalizar esses cuidados”, afirmou. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, divulgada na última quinta-feira, 18, no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, passou a classificar como pré-hipertensão valores entre 120 e 139 mmHg de pressão sistólica e/ou entre 80 e 89 mmHg de diastólica. O objetivo é reforçar ações preventivas e estimular mudanças no estilo de vida de forma precoce.
Para pacientes hipertensos, a meta de pressão também ficou mais rígida. O limite de 14 por 9 (140/90 mmHg) foi substituído por 13 por 8 (130/80 mmHg), independentemente de idade ou comorbidades, com foco na redução de riscos de infarto, AVC e insuficiência renal. Falavigna orienta que a pressão arterial seja medida em diferentes momentos do dia e que os registros sejam levados ao cardiologista. “Não se trata apenas de uma medida isolada. Fatores como diabetes e histórico familiar influenciam diretamente nos cuidados necessários”, explicou.
Pela primeira vez, a diretriz inclui o escore Prevent, que estima a probabilidade de eventos cardiovasculares em 10 anos, considerando obesidade, diabetes, colesterol elevado e danos a órgãos vitais. O documento também traz recomendações para o SUS e cuidados específicos para mulheres, incluindo gestação, uso de anticoncepcionais e menopausa. A hipertensão atinge cerca de 28% dos adultos brasileiros, mas apenas um terço mantém a pressão sob controle. Com a atualização, milhões de pessoas passam a ser alertadas sobre risco potencial, reforçando a importância de acompanhamento médico, monitoramento contínuo e hábitos saudáveis, como exercícios, redução de sal e perda de peso.
