Solo não pode mais absorver água, o que resulta em escoamento superficial da água da chuva e eleva o risco de inundações
O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) divulgou nesta sexta-feira, 24, um mapeamento indicando que o solo do Rio Grande do Sul está completamente saturado por causa das recentes chuvas intensas.
O limite de saturação do solo, cerca de 1 m³ de água por m³ de solo (ou cm³/cm³), em várias áreas do Estado, foi atingido na última segunda-feira, 20, de acordo com a Ufal. O professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, mencionou que nessas regiões o solo não pode mais absorver água, o que resulta em escoamento superficial da água da chuva e eleva o risco de inundações.
“Quando o solo está muito úmido, sua capacidade de absorver mais água, como faria uma esponja, diminui”, disse Barbosa ao portal G1. “Isso acontece porque o solo já está saturado; ele não está apenas úmido, mas atingiu seu limite de saturação, como uma esponja completamente encharcada.”

“Se o solo de Porto Alegre estivesse seco, a água já teria percolado, ou seja, infiltrado no subsolo, alimentando o lençol freático com a água que vem da superfície”, destacou Barbosa. Na última quinta, 23, porém, a chuva retornou com força na capital gaúcha. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o volume de chuva em 15 horas ultrapassou os 100 milímetros na Zona Sul da capital.
O órgão ainda afirma que o elevado volume de chuva, o acúmulo de lixo nas ruas e redes pluviais e restrições no funcionamento de casas de bombeamento – apenas 10 das 23 estações estão funcionando – prejudicaram a saída da água, provocando o transborde.
